Apresentação da canção
Apresentação da canção
Change poderia ser a última palavra de Natura Humana.
A canção não procura suavizar o final, mas prolongar a onda de choque deixada pelos últimos capítulos. Não é consolo, nem esperança fácil. É um espelho.
As texturas eletrónicas misturam-se com guitarra, violino e harmónica, mas de forma deliberadamente áspera.
A guitarra não acalma: bate, insiste.
O violino não acaricia: estica-se, como uma corda prestes a quebrar.
A harmónica não canta: sopra como um grito contido.
Estes instrumentos carregam a nostalgia de um mundo já perdido, enquanto a música eletrónica, ora fria, ora vibrante, recorda as promessas ambíguas da tecnologia.
No meio destes sons, vozes humanas — a solo ou em coro — gritam Change, para exprimir, nem que seja por um instante, que ainda é possível salvar alguma coisa. Por vezes, esse grito ganha uma dimensão quase solene, como se carregasse o peso de uma escolha derradeira: aquela que pode conduzir-nos ao abismo… ou oferecer-nos uma fuga.
Porque Change não diz : “vai ficar tudo bem.”
Ela coloca a pergunta: será que ainda conseguimos transformar-nos a tempo?
Não mudando as nossas ferramentas, mas aquilo que, em nós, alimenta o medo, a dominação e a repetição dos mesmos erros.
A palavra change nunca ressoa explicitamente no romance, mas tudo converge para ela.
Se Natura Humana é um aviso, Change é o último abalo… e talvez o último grito.